quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

NO RASTRO DA GADARIA


Já faz três dias que culatreio esta tropa
Que vem mermando, quase chegando ao destino
Canso cavalos no rastro da gadaria
Nas alegrias poucas de um campesino
Só mais uns dias e a tropeada se termina
Minguada é a plata para os que rondam madrugadas
Empurrando bois, nos encontros dos cavalos
De longe os galos prenunciam alvoradas
Refrão:
De vez em quando um sapucay chamando a ponta
E um índio touro abre o peito e atropela
Um cusco baio se revolta e garroneia
O boi coiceia e, dando volta, se entrevera
Tranqueia o gado farejando um aguaceiro
Que vem se armando lá prás banda oriental
Abrem-se ponchos na culatra e lá na ponta
E o vento afronta mareteando o pastiçal
Troveja longe e o raio plancha na terra
E a manga d´água já branqueia o corredor
Encharca o poncho e a alma de quem tropeia
Se o tempo enfeia pros lados do chovedor
Não vejo a hora de findar esta jornada
E voltar pro rancho que ergui no meu lugar
Já imagino a minha linda na janela
Sonhei com ela e pra ela vou voltar
(Refrão)
E o vento afronta mareteando o pastiçal

  Interpretação: Abramo Machado & Felipe Araújo
  abramomachadoefelipearaujo@hotmail.com

 letra :Jairo Lambari Fernandes

 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

JORGE FREDERICO DUARTE WEBBER


 
DE ALBAS Y PONIENTES

Me conhece a estrela boieira,
de tanto que le digo bom dia,
nas madrugadas de nostalgia
em que a saudade matreira,
com uns amargos de poesia,
sopra as brasas do coração,
para curar a solidão,
dessa insônia caborteira...
M’encantam as cores d’aurora,
quando o sol de ouro vem vindo;
na capital, ou lá fora,
não existe céu mais lindo!
Deus com seu saber infindo,
demonstra Seu grande poder,
que é pa’ todo o mundo saber
que Ele nos quer ver sorrindo...
Também se passa no poente,
sangrando cada ocaso,
e mesmo quem não é crente,
por algo que não vem ao caso,
sente uma imensa emoção,
ao ler, na tela do infinito,
com tanta cor e inspiração,

o salmo que ali está dito...
Então, acendo um cigarro,
degustando as cores do céu,
e ao mate amargo me agarro
sem apuro, trançando o sovéu
das minhas horas sem sono,
milongueando uma verdade
desse mundo que é meu dono,
na tarca da tua saudade...!

Porto Alegre, terça-feira 15/01/2013 – 06H42’
JFDW – el Chango Duarte.
 
Jorge Frederico Duarte Webber
O ÍNDIO GUMERCINDO

Sumido em meio a um pajonal,
o umbu grande, um pé de amora
e seu ranchito pintado de cal,
donde um urutau tristonho le chora...

Sob o tisnado alero de totora,
chiava a cambona, no fogo de chão;
quando veio saludar-le a aurora,
jazia também o mate, volteado no chão...

Tal como o palhero na mão
acostumada a trançar tento,
foi apagando-se, ao vento,
ao lado do velho parcero violão...

Mirando os astros no firmamento,
era agora mais uma estrela no céu,
guasquero e payador de fundamento,
mestre na arte da lonca e do sovéu...

Lo encontraram sorrindo
um sorriso mui lindo,
o índio Gumercindo...
Vai ver, às portas do grande mistério,
aquele xiru, sempre tão sério,
a prenda amada reencontrou,
sua china, a Dona Clorinda,
que, na flor da idade ainda,
foi lavar na sanga e não voltou.

Porto Alegre/RS, sexta-feira 08/II/2013 – 14H44’
JFDW – el Chango Duarte.
 

Meu canto de liberdade


" Crio e me refaço das tormentas,
se fez meu mundo vendaval pra  assombrar
meu espirito inquieto.
Mas não se cala meu peito abagualado,
rebelde é minha alma
e as rédeas não se aquietam em minhas ancas.
Calei o meu pranto e atravessei a fronteira
pra buscar meu canto de liberdade
pra junto da invernada e hastear minha bandeira.
Enfim, de volta  pra casa, pra entranhas
da terra hermosa que me recriou,
enfim renasce meu ser
no chão batido da querência
alma de minha alma, existência lúcida e branca
do meu ser"


Andrea Rodrigues
* Foto: Eduardo Rocha
* música: Argentino Luna: Gallitos del aire

 

Lisandro Amaral e Marcelo Oliveira "De Alma, Campo e Silêncio"


 
Noite de campo que vejo numa lembrança de outr'ora
Beira de um fogo que acalma, triste cambona que chora
Alma povoada em silêncio deste meu rancho fronteiro
Mateando alguma saudade costeando o sono da espora
Vento que geme na quincha feito um basto na estrada
Resmunga o som de tesoura do picumã amorenada
Quem sabe traga de arrasto alguma manga pras casa
E um cheiro bruto de terra pra envadir a madrugada
Noite que chora pro campo tocando a tropa na sanga
Batiza os lábios da china num galho flôr de pitanga
Somente o sonho que cresce num distanciar de povoeiro
Que parte junto com a aguada pra alguém que vive de changa
E a primavera se estende com olhos claros pra lida
Bolear a perna na estancia, este é meu rumo na vida
Solito eu cruzo as horas num camperear de invernada
De rédea firme por diante com alguma mágoa contida


*letra: Fernando Soares
Música: Juliano Gomes e Everson Maré
 

Léguas de Campo

Abramo Machado e Felipe Araujo




Se vão os anos e planos, de peão gaúcho e tropeiro
E o gado segue atendendo meu grito de homem campeiro

É linda a vida que levo, gastando léguas de campo
par de cachoro e cavalo, relumes de pirilampo

Quem tem o campo no sangue, entende o que falo e sinto
trago a rudeza nos braços, da lida sei e não minto ( Fala )

De à cavalo me garanto e quando o laço se vai
deito o corpo no gateado e a res num 'upa' já cai

Se às vezes tenho saudade, é porque nasci assim
sou do campo uma verdade e o campo parte de mim

De à cavalo me garanto e quando o laço se vai
deito o corpo no gateado e a res num 'upa' já cai




 
Milongão da Gineteada/ Joca Martins & Bachieri


césarcattani@uol.com.br




 
ALFREDO ZITARROSA
 
 
 



segunda-feira, 19 de março de 2012





COISAS DO MEU RIO GRANDE
 



Ele tem o cheiro da terra molhada,
e nos olhos a calmaria da invernada;
noite que despenca em sonho,
manhã que se cumpre em promessas,
a esperança viva,
na dança e na alegria.


No seu dorso a lua faz seu achego,
no jeito campeiro o sol se faz morada
no flete que dispara em seus campos
as estrelas descançam tranquilas,
clareando a sua estrada.


Faz de mim a tua voz e o teu grito,o pranto e o sorriso de quem nunca se entregou;
ele é minha terra, meu destino e meu abrigo;
ele é meu caminho, ele é o que sou.


Não te enganes, não...
se tu não sabes de quem falo nesta canção,
estes versos, simples versos, são pra dizer...meu Rio Grande sou tão teu, que meu eu és tu.


Não te enganes, não...tu não sabes do que essa gente é capaz,
nos teus campos toda a dor se refaz;
em teu berço, a tua História não dorme jamais.
Faz de mim tua bandeira, que voa livre ao vento; nestas fronteiras, em meu cavalo, galopa a tua virtude, presa no arreio;


Sou o teu povo, aguerrido, sou, do teu ventre, o teu filho.
Não te enganes, não...
tu não entendes o que sinto em meu peito;
o teu dele carrego junto, em meu lenço;
nasci de suas entranhas, e não conheço a derrota:tenho orgulho de ser o que sou:sou gaúcho, de laço e de espora.


E se tu queres saber destas coisas,que te canto agora,me dá a mão, vem pra cá, não demora;no meu Rio Grande, o amor é a nossa História!


Texto: Andrea Rodrigues e Jorge Webber ( El chango Duarte)
Foto: Eduardo Rocha

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

I CONCURSO DE POESIA GAUCHESCA “JAYME CAETANO BRAUN”

 
I CONCURSO DE POESIA GAUCHESCA “JAYME CAETANO BRAUN”
 
 
A Estância da Poesia Crioula torna público que estão abertas as inscrições para o 1º Concurso de Poesia Gauchesca JAYME CAETANO BRAUN, em homenagem ao grande poeta, trovador e inigualável pajador JAYME CAETANO BRAUN, Sócio-Fundador desta entidade.

O seguinte regulamento normatiza o Concurso:

1) A partir desta data, até 15 de fevereiro de 2012 estão abertas as inscrições para o 1º Concurso de Poesia Gauchesca “Jayme Caetano Braun”.

2) O tema do Concurso é livre, porém, deverá abordar a história, lendas, tradições, usos ou costumes do Rio Grande do Sul.

3) Os trabalhos apresentados deverão ser inéditos, na forma de “décimas espinélas”, “oitavas” ou “sextilhas”, obedecendo métrica e rima, no estilo consagrado pelo grande poeta gaúcho.

4) O trabalho apresentado deverá conter o título e pseudônimo do autor. Em separado deve ser enviado os dados pessoais, com endereço, telefone e e-mail para contato.

5) Cada autor poderá concorrer com um trabalho em cada modalidade: “décima espinéla”, “oitava” ou “sextilha”

6) Os trabalhos deverão ser encaminhados, em três cópias, até o dia 15 de fevereiro de 2012 para o seguinte e-mail: acandido@ghc.com.br ou endereço:

ESTÂNCIA DA POESIA CRIOULA – EPC Rua Duque de Caxias, 1525, Conj. 49/D CEP: 90.010-283 - Porto Alegre - RS – BRASIL

7) Não será cobrado taxa de inscrição.

8) Os trabalhos serão julgados por comissão especializada, indicada pela instituição promotora do concurso.

9) PREMIAÇÃO: Os trabalhos selecionados do 1º ao 5º lugar receberão diploma.

Os trabalhos classificados em 1º, 2º e 3º lugares receberão Diploma e Troféu.

10) Os resultados serão proclamados e os prêmios conferidos em solenidade especial, em Porto Alegre, durante o mês de março de 2012, em local a ser definido.

Porto Alegre, 26 de novembro de 2011.



 Cândido Brasil Presidente E.P.C.


Jaime Caetano Braun




(Timbaúva, 30 de janeiro de 1924 — Porto Alegre, 8 de julho de 1999) foi um renomado payador e poeta do Rio Grande do Sul, prestigiado também na Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia.
Era conhecido como El Payador e por vezes utilizou os pseudônimos de Piraju, Martín Fierro, Chimango e Andarengo.
Jayme formou-se em jornalismo em 1954 e, na década de 70, trabalhou como radialista na Rádio Guaíba, onde apresentava "Brasil Grande do Sul", programa especial que ia ao ar aos sábados pela manhã. Ele também foi funcionário público estadual. Trabalhou no Instituto de Pensões e Aposentadorias dos Servidores do Estado (Ipase) e dirigiu a Biblioteca Pública de 1959 a 1963. Aposentou-se em 1969.
Dotado de um talento extraordinário, escreveu livros como "Galpão de Estância" (1954), "De fogão em fogão" (1958), "Potreiro de Guaxos" (1965) e "Pendão Farrapo" (1978), alusivo à Revolução Farroupilha, além de outros e também gravou LP’S e CD’S. Foi parceiro de vários músicos regionalistas e padrinho de outros tantos que lançou na carreira artística.
Ele foi alambrador, tropeiro e curandeiro. Um artista missioneiro que fez da sua região o seu mundo e da sua aldeia uma Pátria.


"Agradecimentos há Estância da Poesia Gaúcha pelo apoio aos nossos poetas do campo.."

terça-feira, 8 de novembro de 2011

AUSÊNCIA


AUSÊNCIA

 
“No floreio da tua ausência as folhas se juntam no encosto da varanda.
Não sabes destas tardes de desesperança e recuerdos que ferem tua lembrança em mim.
Querer e quererte não é mais uma escolha,
Se fez cruel ferida, querer te esqueçer e não encontrar a saída, pra fugir
das manhãs em que fiz minha vida em tí.
De que sabes tù, se há muito não tratastes de buscarme em teus dias?
Bem sei da desventura de viver e morrer todos os dias
Sem os teus olhos de céu, pra curarme das penas da lida.
Bem sei que sou louco em devaneio, com a mirada fincada na estrada,
Na esperança eterna de verte chegando no galope numa tarde , destas tardes esquecidas...”

Andrea Rodrigues
foto: EDUARDO ROCHA
EDU ROCHA


A influência do design e a proximidade com o marketing rural são presenças marcantes em seu trabalho fotográfico. 

Pessoas comuns em seu ambiente natural, paisagens e imagens do cotidiano captadas sob ângulos diferenciados registram o olhar deste fotógrafo.


http://br.olhares.com/EduRocha

ARGENTINA

HERMANOS MUJICA



 
"Fiesta Nacional de las colectividades"
Rosario - Santa Fe - 
 sábado 12/11/11

Hola Amigas/os...!!!
Nueva invitación...
El Sábado 12/11
vamos a poder encontrarnos en el
"Encuentro y Fiesta Nacional de las Colectividades"en su edición 2011, con cita en el Parque Nacional a la Bandera.

Hermanos Mujica
(Ariel y Pablo)